Se tu apagas uma luz em teu coração, o mesmo seria apagares a luz de um farol em meio ao oceano. Já ouviste falar de um navio desgovernado? Deves lembrar-te das tempestades que assolaram o teu povo tempos atrás. Tu te abrigavas na casa que te pertencia e que era dona de tantas lembranças, e que já assistira o nascer e o despertar de ternuras, de sonhos, e do amor que te envolvia em forma de bençãos e carinhos tantos, na forma de mãos que te aqueciam e te embalavam, mostrando-te os caminhos que devias seguir. Tu te abrigavas nessa casa de provisão e recursos da alma. E a esperança te sorria. Não havia em teus pés o gelo das águas da enxurrada. Não percorria em teu corpo o frio do pavor de ver as tuas coisas todas se perderem. Não chovia em tua casa. Ela era segura como uma muralha. Mas chovia dentro e fora da alma do teu irmão. Deslizavam diante dele todos os sonhos, todas as conquistas de anos de trabalho e de suor, todo o ritual que fizera parte de tantos dias simples... Deslizavam e ...