Te espanta essa febre que se apodera do teu coração? Ela é apenas o sinal, evidente e divino, de que começas a te libertar de todo o teu passado, de todos os antigos costumes, de toda a tua melancolia e do pretensioso ofício de te ocupar de ti próprio. Ela é a janela que se abre lentamente e te vai revelando tantas paisagens que antes teus olhos não viam...
Não te assustes com os sobressaltos, com os desvarios, não te incomodes com a tua dor.
Se o teu coração sofre, se ele é febril, se ele sente com pesar os anos que se foram, o tempo cultivável que dispersaste, é sinal que tu começas a te agigantar e a entender a importância de reservar as sementes que distribuirás em teu solo, como um bom semeador.
Nem mais aqui, nem menos acolá.
Nem tanto para as pedras, nem pouco para os charcos.
Há as sementes certas para as terras certas. Tu descobrirás o exato valor no tempo determinado. E enquanto isso, não te detenhas em sonhos intangíveis, não te deixes à mercê de teus pensamentos. Trabalha o teu coração. Trabalha, como um bom jardineiro, todas as rosas de tuas terras.
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