Se tu apagas uma luz em teu coração, o mesmo seria apagares a luz de um farol em meio ao oceano.
Já ouviste falar de um navio desgovernado?
Deves lembrar-te das tempestades que assolaram o teu povo tempos atrás. Tu te abrigavas na casa que te pertencia e que era dona de tantas lembranças, e que já assistira o nascer e o despertar de ternuras, de sonhos, e do amor que te envolvia em forma de bençãos e carinhos tantos, na forma de mãos que te aqueciam e te embalavam, mostrando-te os caminhos que devias seguir. Tu te abrigavas nessa casa de provisão e recursos da alma. E a esperança te sorria.
Não havia em teus pés o gelo das águas da enxurrada. Não percorria em teu corpo o frio do pavor de ver as tuas coisas todas se perderem. Não chovia em tua casa. Ela era segura como uma muralha. Mas chovia dentro e fora da alma do teu irmão. Deslizavam diante dele todos os sonhos, todas as conquistas de anos de trabalho e de suor, todo o ritual que fizera parte de tantos dias simples... Deslizavam e perdiam-se dele os sorrisos e os afagos, as promessas e os planos. Perdiam-se dele aqueles por ele amados.
E o teu irmão mutado, perdido, tornava-se, lentamente, o imigrante que desconhece a terra nova. Era ele o imigrante de sua própria alma.
E é por isso que te digo: se tu apagas essa luz que te habita o coração, seria como se apagasses, em meio ao oceano, a luz de um farol. Porque essa luz significa tua conquista lenta e progressiva, direcionada pelas mãos de Deus. Ela é auxílio Divino que deves aceder e alimentar todos os dias. Ela é a tua Fé. E é essa luz bendita que auxiliará o teu irmão a percorrer os caminhos da pátria nova e antiga, reconstruindo, recomeçando a passos lentos, mas caminhando firme, sempre atento às novas conquistas que lhe servirão de alavanca para a sua própria fé.
Janete - 24-26/02/1988
Céu de Atibaia

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